MBE propõe a criação de Conselho de Gestão Fiscal

07/12/2010

Assim como o Comitê de Política Monetária (Copom) que tem como objetivo estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa básica de juros, o Movimento Brasil Eficiente quer propor ao Congresso Nacional a criação de um Conselho de Gestão Fiscal que teria a função de desenhar ajustes anuais em tributos e empenhos de despesas.

A intenção do Movimento é fazer valer o artigo 67 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que prevê “O acompanhamento e a avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade, visando a:

II – disseminação de práticas que resultem em maior eficiência na alocação e execução do gasto público, na arrecadação de receitas, no controle do endividamento e na transparência da gestão fiscal;

III – adoção de normas de consolidação das contas públicas, padronização das prestações de contas e dos relatórios e demonstrativos de gestão fiscal de que trata esta Lei Complementar, normas e padrões mais simples para os pequenos Municípios, bem como outros, necessários ao controle social;

IV – divulgação de análises, estudos e diagnósticos.

Para o coordenador do Movimento Brasil Eficiente, o economista Paulo Rabello de Castro só a partir da fixação de uma meta é que o país poderá ter redução efetiva da carga tributária e assim aumentar a taxa de crescimento em 6% ao ano.  A proposta de criação do Conselho de Gestão Fiscal deverá ser encaminha à Câmara no inicio das novas atividades, em fevereiro do ano que vem, junto com as demais diretrizes da Lei do Brasil Eficiente.

@BrasilEficiente

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Carga tributária e lucro elevam preço do iPhone 4

01/12/2010

 

Aparelho chega ao Brasil por R$ 525, mas é vendido em lojas por R$ 1.799

 

O iPhone 4 pode ser um dos aparelhos mais desejados do Brasil, mas está longe de ser um dos mais populares em vendas.

A combinação de alta carga tributária e das margens de lucro faz o aparelho chegar às prateleiras custando quase três vezes e meia seu preço real de importação.

Segundo dados apurados pela Folha, o modelo de 16 GB é importado pela Apple com valor declarado de US$ 300, ou cerca de R$ 525 -levando em consideração apenas o câmbio.

A carga tributária incidente para a venda -incluindo o Imposto de Importação- eleva o preço do aparelho em 40%, para cerca de R$ 735.

Com outros 8%, ou R$ 42, referentes ao frete e ao seguro da mercadoria, o preço do aparelho chega a R$ 777.
Nas operadoras, porém, o aparelho de 16 GB desbloqueado custa R$ 1.799. Na compra com planos de dados, o preço pode cair a R$ 1.299, considerando o plano de entrada da Vivo.

Quando o usuário opta por pagar o plano mais caro de dados e voz da operadora, o preço do aparelho tem queda expressiva. Na Vivo, com o plano mensal de R$ 609, o usuário paga R$ 549 pelo iPhone 4. Na Claro, com o pacote de R$ 230, o iPhone 4 de 16 GB sai por R$ 699.

Apesar de a carga tributária já ser responsável por elevar o preço do modelo em mais de R$ 200, o principal fator por fazer o preço do iPhone 4 desbloqueado disparar para o consumidor final é a margem de lucro praticada pelas operadoras e pela Apple.

Não há dados precisos do percentual aplicado pelas partes, mas o preço da prateleira já deixa sensível a diferença, dizem especialistas.

DEMANDA
Apesar do preço alto, o iPhone 4 é um sucesso de vendas desde o lançamento, há dois meses.
Segundo a consultoria IT Data, especializada em tecnologia, nos meses de agosto e setembro a Apple importou cerca de 50 mil aparelhos iPhone 4.

O volume, porém, foi insuficiente para atender a demanda e o aparelho sumiu das prateleiras das lojas no mês passado.

Nesta semana, as lojas das operadoras começam a receber o novo lote de aparelhos da Apple. Segundo executivos próximos às importações da Apple, a companhia norte-americana trouxe menos de 8.000 aparelhos para serem distribuídos para as quatro operadoras (TIM, Claro, Oi e Vivo) em São Paulo até o Natal deste ano.

Embora o discurso dentro da Apple seja o de que o volume será suficiente para suportar a demanda de Natal, a percepção do mercado -inclusive das operadoras- é contrária.

“Tradicionalmente, o Estado de São Paulo corresponde a 45% da demanda por telefones celulares no Brasil”, afirma Ivair Rodrigues, diretor-geral da IT Data.

Considerando a demanda dos meses anteriores, o volume é insuficiente para atender a procura, especialmente na época de Natal, uma das mais fortes para as vendas de celulares.

Fonte: Folha de S.Paulo – 27 de novembro de 2010


Santa Catarina é o primeiro Estado a aderir ao Movimento Brasil Eficiente

25/11/2010

A ideia é diminuir a carga tributária e racionalizar o gasto público

Ocorreu na segunda-feira do dia 22 de novembro, a adesão do Estado de  Santa Catarina ao Movimento Brasil Eficiente (MBE). A ação governamental aconteceu em Florianópolis, e foi oficializada pelo governador Leonel Pavan, na abertura do 6º Encontro do Conselho Nacional dos Órgãos de Controle Interno.

Segundo o governador, o estado tem avançado em grandes setores e buscam fazer muitos mais. “O objetivo de aderir ao MBE é reduzir a carga tributária e racionalizar o gasto público de Santa Catarina”, afirma o governador.

Uma iniciativa que merece aplausos por parte do governador e do Estado como um todo, são propostas assim que farão o País ganhar mais força e eficiência em um dos temas que mais que precisam de atenção, a economia e o controle dos gastos públicos através de uma redução na carga tributária e impostos.

 

Sobre o Movimento Brasil Eficiente

O Movimento Brasil Eficiente reúne o setor produtivo nacional, federações empresariais, empresas de segmentos variados e a sociedade civil em torno de uma proposta de reformulação fiscal e tributária que garanta ao país um crescimento econômico sustentável, consistente, constante e acelerado.

Tem como meta ressaltar a importância, tanto para população, e principalmente para os políticos a importância de diminuir o peso da carga tributária sobre o setor produtivo, simplificar e racionalizar a complicada estrutura tributária, melhorando a gestão dos recursos públicos. (neste período coloque um pouco do estudo que virou livro da autoria dos professores Raul Velloso e Paulo Rabello de Castro).

O Movimento surgiu após uma série de debates e concluiu-se que o Brasil é capaz de crescer caso o governo diminua os impostos. Reduzindo nos próximos dez anos a carga tributária de 40 para 30% do PIB, além de permitir o investimento, fazendo com que o PIB chegue ao nível de 25%, e onde empresas e governo sejam mais competitivos. Além disso, fazer com que o orçamento público seja equilibrado com redução dos gastos públicos tornando um país mais eficiente.


Dez propostas para um Brasil mais eficiente

11/11/2010

PRIMEIRA PROPOSTA: Aprovar meta decenal (2011-2020) inscrita em lei própria, de ajuste do gasto público e de contenção da carga tributária, que chamaremos de “LEI DO BRASIL EFICIENTE”!

SEGUNDA PROPOSTA: Aprovar meta decenal de crescimento, entre 2011 e 2020, na média de 6% ao ano, impulsionada por investimento da ordem de 25% do PIB no período e trazendo o nível de pobreza dos atuais 24% para apenas 15% da população.

TERCEIRA PROPOSTA: Limitação gradativa ao aumento do gasto público, monitorado por Conselho de Gestão Fiscal, a ser criado nos moldes do Conselho Monetário Nacional (conforme o artigo 67 da Lei de Responsabilidade Fiscal), que estabelecerá ajustes anuais em tributos e empenhos de despesas para atender ao estrito cumprimento da meta decenal de redução da carga tributária.

QUARTA PROPOSTA: Redução gradual da carga tributária, conforme a Lei do Brasil Eficiente (2011-2020), na base de um ponto percentual por ano até se atingir o patamar limite de 30% do PIB.

QUINTA PROPOSTA: Simplificação e racionalização do Sistema Tributário Nacional, mediante conjugação de impostos e contribuições diversas, assim se reduzindo a sua quantidade e os custos de sua administração pelo contribuinte.

SEXTA PROPOSTA: Transparência total na cobrança de tributos incidentes sobre a circulação econômica, mediante adoção de um “Imposto sobre Valor Agregado” (IVA) que aglutine todos os tributos hoje incidentes de cobrança federal (como IPI, PIS e COFINS, CIDE e IOF) e federativos (como ICMS e ISS) para que o contribuinte pague uma só vez e saiba com qual alíquota final está, de fato, arcando.

SÉTIMA PROPOSTA: Dedicar a arrecadação integral do novo Imposto de Renda (IRPF + IRPJ + CSLL + Contribuição Patronal ao INSS) ao financiamento da Previdência Social brasileira, mas limitando o gasto total previdenciário (INSS + regimes próprios) a 10% do PIB até 2020.

OITAVA PROPOSTA: Destinar, por ano, até 5% do PIB à infraestrutura nacional, através de investimentos do setor público, alocando a totalidade do Fundo do Regime Geral da Previdência Social, a ser criado, conforme o art. 68 da LRF, pelo recolhimento mensal das contribuições individualizadas de seus participantes.

NONA PROPOSTA: Limitar o crescimento da despesa de Pessoal, fomentando a ascensão por mérito e o treinamento continuado, e das despesas em Assistência Social, por meio de aperfeiçoamento dos critérios de elegibilidade, desestimulando o socorro permanente, consolidando programas superpostos e realizando aferições rigorosas de seu retorno efetivo.

DÉCIMA PROPOSTA: Adotar cinco metas na gestão educacional – Aferição, Responsabilização, Premiação, Descentralização e Priorização – a fim de se obter no Brasil, nos próximos vinte anos, avanço em escolaridade comparável ao da Coréia do Sul em duas décadas passadas.


Movimento Brasil Eficiente lança aos brasileiros os desafios de 2020 e 2030

04/11/2010

* Por Paulo Rabello de Castro

Já pensou um País três vezes o tamanho atual da economia brasileira? Mas não só isso. Pense, principalmente, na possibilidade de um Brasil de fato muito mais saudável, mais longevo e mais escolarizado, detendo uma renda pessoal de país desenvolvido, como a Espanha dos dias de hoje. Isso tudo é possível e realizável. E com muito menos pobreza e renda bem distribuída. Na página seguinte, veja a comparação entre duas versões de Brasil, uma turbinada pela Eficiência; outra, no “mais-do-mesmo”. Em seguida, se estiver confortável com o desafio, faça sua opção.

É preciso considerar, porém, que a chance de acontecer essa história de lances felizes depende menos de descobertas como a do pré-sal, por mais importantes que sejam, e muito mais de planejamento do uso MAIS EFICIENTE dos recursos humanos, morais e de capital que estão à nossa disposição, independente de novas descobertas minerais. Até 2030, há “um Brasil a mais” a ser conquistado pelo trabalho, que não deriva de sorte nem de escavação, e sim, de estratégias vencedoras num País capaz de fazer as escolhas certas.

Que escolhas são essas? Primeiro, a taxa de investimento do Brasil, que hoje se encontra estancada em faixa inferior a 20% do PIB, quando o nível requerido para crescer 6% ao ano seria de 25%. (Para comparação, a China acumula capital a mais de 40% ao ano, a Coréia a mais de 30% e o Chile, a cerca de 25%). Esse é nosso primeiro desafio: organizar a sociedade brasileira, os empresários e trabalhadores, para conduzir um processo mais intenso de investimentos ao longo desta década que se inicia, o que depende menos de iniciativas do tipo PAC, e mais de confiança e saldos de geração de caixa (Ebitda) para sustentar investimentos ao longo destes dez anos.  No seguinte decênio, de 2020 a 2030, a sorte ou azar já estarão lançados pelo desempenho da década atual; logo, o que não ficar decidido e alcançado nesta etapa, não será em 2015 ou em 2020 que conseguiremos acelerar e compensar.

Daí a relevância do segundo desafio: cabe à sociedade brasileira, por meio de suas lideranças civis, empresariais, classistas ou profissionais, de trabalhadores e comunidades, levantar a bandeira de uma NOVA ESTRUTURA TRIBUTÁRIA no Brasil, acompanhada de controles mais rigorosos da despesa corrente do Estado e muito mais transparência de como se arrecadam tributos e de como se gasta o dinheiro do contribuinte. Por que isso é fundamental? Esta cobrança injusta de impostos corresponde, justamente, à fração da poupança privada potencial que hoje é subtraída, no circuito financeiro, do caixa das empresas e das contas dos trabalhadores para pagar o excesso de gastos públicos, sem repercussão nos investimentos. Estancar o avanço da CARGA TRIBUTÁRIA passou a ser missão patriótica, além de ser razão lógica para a aceleração da prosperidade geral.

Mas não precisamos chegar à Eficiência do Estado por meio de cortes generalizados de despesas. Se o País crescer vigorosamente, abrigará despesas também crescentes, desde que racionais, na área dos investimentos sociais, como educação e saúde, e no campo econômico, como infraestrutura, pesquisas científicas e sustentabilidade ambiental. Essencial é aprovar uma Lei do Brasil Eficiente, passando a cumprir a atual Lei de Responsabilidade Fiscal que, no seu artigo 67, prevê um CONSELHO DE GESTÃO FISCAL, dotado de poderes para harmonizar os interesses fiscais das três esferas de governo, mantendo os gastos em linha com o tamanho do bolso dos contribuintes.

Nossa proposta é muito simples: DEZ – DEZ – DEZ. Os gastos do Estado brasileiro e de sua Previdência Social devem ser contidos, cada um, na marca de 10% do PIB. Ou seja, a Previdência deve ter seu dispêndio anual limitado a 10% do PIB (e, ainda assim, se gastará mais do que em qualquer outra nação de tamanho equivalente ao nosso!); a máquina federal não pode custar mais do que 10% do PIB (e isso já é muito); e os outros 10% serão para repartir entre gastos de estados e municípios.

Seremos um Brasil mais forte quando o governo que nos administra for mais leve, mais rápido e mais presente. Nas DEZ PROPOSTAS DO MOVIMENTO BRASIL EFICIENTE, que acompanham esta introdução, está colocado o desafio de ajustar a carga tributária atual, em dez anos, até 2020, e que hoje chega a quase 40% do PIB, de volta aos 30%. Será, portanto, um ajuste gradual, sem traumas, e por isso mesmo, sem desculpas de não ser aprovado, desde logo, pelo Congresso Nacional que se instalará em Brasília em janeiro de 2011.

Estamos organizando uma Frente Parlamentar e um conjunto de projetos de Lei e de Emendas constitucionais para garantir esta grande meta nacional, apoiada por uma campanha popular e um Abaixo-assinado, visando à rápida aprovação dessas normas pelo Congresso.

Os próximos vinte anos valem nossa mobilização e coragem de lutar. Não vamos deixar que o próximo governo fique sozinho, quebrando a cabeça na busca de caminhos para o desenvolvimento. Há um Brasil do tamanho do nosso maior sonho esperando por nós até 2030. O desafio desta geração é não deixar que o sonho nos escape pela janela da omissão. Afinal, a oportunidade de cada um de nós ter a renda, salário ou patrimônio pessoal multiplicado por dois, por três ou quatro, em apenas alguns anos, não faz mal a ninguém, muito menos ao governo.

*ECONOMISTA, PRESIDENTE DO INSTITUTO ATLÂNTICO E COORDENADOR DO MOVIMENTO BRASIL EFICIENTE


Um Brasil mais eficiente é possível

18/10/2010

Artigo de Carlos Schneider, empresário e um dos coordenadores do Movimento Brasil Eficiente e presidente da ACIJ – Associação Empresarial de Joinville (SC)

Comparado com outros países emergentes como China, Índia, Rússia Tailândia, Chile e Argentina, o Brasil possui uma carga tributária muito superior, próxima a 40% do PIB. Tal distorção ocorre porque o Governo gasta muito na previdência do setor público, no INSS e na máquina pública. Só a previdência consome 12% do PIB, o que deixa o país numa situação ruim para investir em outras áreas, como saúde, educação, segurança e infraestrutura, por exemplo.

Para se ter uma ideia, os impostos representam mais de quatro meses de trabalho dos brasileiros. E o problema não está apenas no volume de arrecadação, devido à elevada carga de impostos, mas na maneira como o Governo gasta isso. A sociedade confia na Administração Pública e o que volta para a população não é de boa qualidade. Pagamos impostos para ter serviço público de Saúde, Educação e Segurança, por exemplo, e muitos brasileiros ainda pagam por seguro saúde, escola particular e itens para viver com segurança. Nestes cálculos, acabamos pagando duas vezes pela mesma coisa.

Recentemente dois estudos profundos realizados pelos economistas Paulo Rabello de Castro e Raul Velloso, um analisando a arrecadação e o outro o gasto público, resultou no Diagnóstico Fiscal Brasileiro. O estudo indicou de forma clara e objetiva que é possível reduzir a carga tributária em pelo menos 10%, em 10 anos com um pequeno esforço dos nossos governos e políticos. A matemática é simples: limitar inteligentemente (sem precisar reduzir) o crescimento dos gastos públicos correntes abaixo do crescimento do PIB e, melhorar a gestão dos recursos fazendo a máquina pública rodar de modo mais eficiente.

É por isso que criamos o Movimento Brasil Eficiente, para mostrar à sociedade onde o seu dinheiro está sendo aplicado e, com isso, se mobilize no sentido de cobrar as contrapartidas dos Gestores Públicos. Entendemos que o Brasil precisa gastar tão bem quanto arrecada. Neste sentindo, estamos propondo a criação da Secretaria Nacional de Gestão da Despesa Pública que tem o objetivo de fiscalizar e melhorar os gastos do Governo. Como somos muito vigiados em termos do pagamento das nossas obrigações, também temos o direito de ter a contrapartida do Estado na gestão das despesas públicas.

Acreditamos que com uma atuação dos próximos governos no sentido de buscar austeridade, dar total transparência na cobrança dos impostos e estabelecer metas de redução da carga tributária, o Brasil criará as condições necessárias para gastar com mais eficiência e ampliar o crescimento econômico e a geração de empregos à média decenal de 6% ao ano. Praticamente dobrando a renda per capita da população, em 2020, arrecadando cerca de 10% menos que hoje.

É desta mudança inteligente, e eficiente, que o País precisa. Uma mudança que não representa uma quebra dos direitos de aposentados e pensionistas, tampouco uma desarrumação do País em termos de estrutura de gastos, mas sim, uma arrumação inteligente dos gastos e um compromisso de alcançar metas consistentes de redução de impostos. Mas, somente uma ação conjunta possibilitará um ajuste Fiscal Eficiente. Enquanto a classe política e a sociedade não se mobilizarem, em conjunto, em prol desta causa, a verdadeira reforma continuará sendo adiada.

*Carlos Rodolfo Schneider é empresário e um dos coordenadores do Movimento Brasil Eficiente. É presidente da ACIJ – Associação Empresarial de Joinville (SC)



10 produtos que mais encarecem com os impostos

05/10/2010

Ainda que passem despercebidos, os impostos embutidos no preço de um produto podem ser maiores do que o custo do item em si

São Paulo – Economistas e empresários apontam a pesada carga tributária como entrave para o desenvolvimento da indústria. Por sua vez, os cidadãos comuns veem boa parte do dinheiro dar adeus na hora de acertar as contas com o leão (IR), quitar as parcelas do IPTU (imóveis) ou zerar a conta do IPVA (carros). Mas os tributos bancados pelos brasileiros vão muito além das obrigações nominais. “Temos impostos inseridos no custo dos produtos em um complexo regime de créditos e débitos. O sistema onera mais sobre o consumo do que sobre o lucro”, afirma Nelson Beltrame, especialista em formação de preço e em engenharia tributária da FEA/USP.

Como não são discriminados individualmente, os impostos sobre os artigos comprados no dia-a-dia tendem a passar despercebidos. “Ainda que o consumidor olhe a nota fiscal, ele normalmente irá enxergar os tributos incidentes sobre o último estágio da venda”, diz Beltrame. Embora IPI, PIS, Cofins e ICMS fiquem de fora desta relação, eles não deixam de afetar – e muito – o preço dos produtos. “Com essa sobreposição de impostos, o consumidor acaba sendo refém dos custos apresentados”, afirma o professor da USP.

1. Casaco de pele
Para Letícia do Amaral, vice-presidente do IBPT, o Imposto sobre Produtos Industrializados é o grande responsável pela escalada na carga tributária. O IPI é um tributo federal seletivo. Isso significa que sua alíquota varia em função da “essencialidade do produto”, como assinala a própria Constituição. Enquanto itens da cesta básica como o arroz, por exemplo, gozam de isenção, artigos de luxo pagam IPI mais alto. É o caso do primeiro colocado da lista. Quem compra um casaco de vison no país, paga 40% de IPI. Considerados os outros impostos como PIS, Cofins e ICMS, o percentual dedicado aos tributos chega a impressionantes 81,86%. Estima-se que cerca de 70 visons sejam mortos para a confecção de um casaco, que não sai por menos de 2.000 reais. Na prática, quem levar a peça por este preço pagará 363 reais pelo produto em si. Os 1.637 reais restantes vão para os cofres do governo.

2. Perfume importado
Não é por acaso que os frascos de perfume abarrotam as prateleiras dos duty frees e costumam encher as sacolas dos viajantes brasileiros que voltam do exterior. A carga tributária para perfumes vendidos no país é de 78,43%. O número responde em boa medida pela diferença entre os preços praticados aqui e lá fora. Um perfume Chanel n.5 de 50 ml, por exemplo, custa entre 250 e 365 reais no Brasil. Nos Estados Unidos, esse valor varia entre 60 e 100 dólares (96 a 172 reais, pelo câmbio de 22 de setembro). 

  

3. Caipirinha
Junto com o futebol, a caipirinha costuma ser lembrada como símbolo da nacionalidade. A bebida tem até decreto-lei especificando sua composição: “caipirinha é a bebida típica brasileira, com graduação alcoólica de 15% a 36% em volume, a 20ºC, obtida exclusivamente com cachaça, acrescida de limão e açúcar”. O status, no entanto, não faz o drink escapar da alta carga tributária. Os impostos são responsáveis por 76,66% do custo da caipirinha. E assim como acontece com os casacos de vison, o IPI que incide sobre a bebida responde por 40% dos tributos.

  

  

4. Jogos de videogame
Em 2007, o então deputado federal Carlito Merss (PT/SC), apresentou um projeto de lei que propunha estender ao setor de jogos eletrônicos os mesmos benefícios fiscais concedidos aos bens e serviços de informática produzidos no Brasil. Atualmente esses itens têm redução de 80% no IPI. O argumento principal era que a alta carga tributária minava a produção de jogos nacionais, fomentando o contrabando e a pirataria. Desde 2008, entretanto, o projeto adormece na Câmara. E os jogos de videogame, que chegam a custar mais de 250 reais, são taxados em 72,18%.

  

   

  

5. Perfume nacional
Apesar de os perfumes importados arcarem com uma taxa mais alta, os produtos nacionais não ficam muito atrás quando o assunto são os pesados tributos. Os impostos representam nada menos que 69,13% do preço dos perfumes produzidos no país. Ainda assim, o item aparece no topo da lista dos cosméticos mais utilizados por aqui. Estudo da Nivea em parceria com a Millward Brown Brazil constatou que 96% dos brasileiros usam perfume. A Receita agradece.

  

  

  

  

6. Moto com mais de 250 cilindradas
Diferente dos outros itens que aparecem na lista, a moto é a única que não se enquadra no rótulo de produto supérfluo. A opinião é do professor da USP Nelson Beltrame, que destaca que a tributação neste caso teve como objetivo proteger a outrora incipiente indústria nacional. “Antigamente esses veículos não eram fabricados no país. Se uma moto maior chegasse no varejo com um preço melhor que uma moto de pequena cilindrada brasileira, o consumidor não ia hesitar em escolher as motos com motores mais potentes”, afirma. O tempo passou, mas a tributação continuou expressiva: quem compra uma moto com mais de 250 cilindradas arca hoje com uma carga tributária de 64,65%.

7. Charuto
Impulsionada por um IPI de 30%, a carga tributária do charuto bate em 61,56%. Parece muito? Poderia ser pior. Apenas o IPI dos cigarros, que não entrou na lista de produtos analisados pelo IBPT, é de 330%. Isso acontece porque há um forte desincentivo ao consumo dos produtos à base de tabaco por uma questão de saúde pública. Mas como os charutos são industrializados em pequena escala no país, acabam não sofrendo uma política de restrição tão rigorosa.

 

8. Fogos de artifício
O Brasil está entre os maiores produtores de fogos de artifício do mundo. Em Santo Antônio do Monte, no centro-oeste de Minas Gerais, concentram-se mais de 60 fábricas de pequeno e médio porte que se dedicam exclusivamente à atividade. A oferta é grande, mas a alta carga de impostos faz com que o preço do produto não seja exatamente barato. Os tributos representam 61,56% do valor dos fogos de artifício. Vale lembrar que a pólvora utilizada na confecção faz parte da base de produtos controlados pelas Forças Armadas.

 

 

 

9. Quentão
Mistura de cachaça, gengibre, especiarias e açúcar, o quentão figura entre os produtos tipicamente associados à festa junina. Mas se ele ganha destaque apenas em uma época específica do ano, na lista dos produtos com impostos mais altos ele crava o nono lugar do pódio com uma carga de 61,56%.

 

 

 

 

10. Uísque
Procurando identificar as causas da popularidade do uísque por aqui, a revista The Economist afirmou que a bebida é símbolo de status para a classe média emergente. Hoje, o Brasil é o sétimo país do mundo que mais importa uísque escocês. O entusiasmo com o consumo é alto e a carga tributária que incide sobre o uísque não deixa por menos. Os apreciadores da bebida gastam 61,22% do que pagam pela garrafa com impostos.

Fonte: Portal Exame


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